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Multiplicação de Colônias de Abelhas Sem Ferrão

Você sabia que é possível multiplicar colônias de abelhas sem ferrão e, ao mesmo tempo, conservar a biodiversidade e aumentar a produção de mel de forma sustentável? A multiplicação é uma técnica essencial na meliponicultura responsável e pode ser realizada com segurança, desde que respeitados os critérios corretos. Se você quer expandir seu meliponário ou começar a formar novas colônias, continue lendo: veja algumas dicas importantes!

As formas mais comuns de multiplicação são por discos ou módulos, em ambos, os discos que vão para a caixa filha devem ser discos maduros nascentes, os discos verdes onde a rainha está fazendo postura devem ficar na caixa mãe.

A técnica de multiplicação, também conhecida como divisão de colônias, é um dos métodos mais eficazes para aumentar o número de colônias em um meliponário sem precisar capturar novas abelhas na natureza. Porém, ela exige conhecimento técnico da espécie, observação criteriosa da colônia matriz e cuidados específicos para garantir o bem-estar das abelhas e a saúde das novas colônias.

Segundo Costa et al. (2018), a multiplicação correta contribui para o fortalecimento da espécie e evita a perda de colônias por estresse, doenças ou abandono. Além disso, conforme apontam Silva e Ribeiro (2021), esse processo pode ser feito de forma segura até mesmo por meliponicultores iniciantes, desde que respeitadas boas práticas e se utilizem equipamentos adequados.

Antes de pensar em fazer multiplicações, se certifique que tenha boas matrizes, adquira matrizes de meliponicultores que tenha procedência da genética.

Veja agora o passo a passo básico para realizar uma multiplicação segura de colônias de abelhas sem ferrão:

1. Escolha da Colônia Matriz

Colônia saudável e forte: deve ter grande população de abelhas, para algumas espécies tem que conter presença de realeira ou princesa/rainha fértil e discos de cria maduros.

Idade mínima recomendada: preferencialmente com mais de 1 ano, para garantir maturidade biológica.

Referência: Costa, L. A. M., et al. (2018). “Multiplicação de colônias de meliponíneos: aspectos técnicos e biológicos.” Revista Brasileira de Apicultura.

Outra coisa muito importante é ter matrizes de genética boa, o ideal é ter no mínimo três genéticas diferentes no plantel, para manter uma boa qualidade genética das caixas filhas.

Para iniciantes, o recomendado é ter no mínimo 03(três) colmeias para fazer sua primeira multiplicação, em alguns casos são recomendados fazer 2×1, ou seja, pegar discos maduras de uma caixa mãe e campeiras de outra caixa mãe, a terceira caixa fica caso seja necessário algum reforço.

2. Equipamentos Necessários

Caixa padrão INPA ou modelo racional compatível com a espécie.

Estilete ou espátula de inox para corte e manuseio da cera.

Cera mista a vontade

Alimentador interno (não servir alimento no dia da multiplicação)

Fita adesiva larga para vedação temporária.

3. O Procedimento de Multiplicação

3.1 Separação do Ninho

Abra cuidadosamente a colônia matriz. Observe o ninho e escolha os discos ou módulos para ser transferido para a caixa filha. Se a multiplicação for por discos, o recomendado é que não leve nenhum alimento para a caixa filha, isso deverá ser feito depois de alguns dias.

3.2 Transferência dos Elementos

Na caixa filha:

Coloque o bloco de cria maduro ao centro ou os módulos sobre uma lixeira.

Adicione cera mista, isso ajuda na construção do invólucro para proteção do ninho.

Em caso de multiplicação por discos, transfira um pouco do invólucro de cera para ajudar no reconhecimento e aceitação das campeiras.

3.3 Vedação e Isolamento

Feche bem a caixa com fita adesiva para evitar entrada de ar/vento e entrada de forídeos (pequenas moscas que atacam colônias jovens).

Coloque a caixa no local da caixa mãe que doará as campeiras.

Com o tempo as abelhas farão a vedação interna total com cera e própolis, mantendo assim a proteção natural para a colmeia.

4. Monitoramento Pós-Divisão

Observe o comportamento das abelhas (entrada e saída do ninho, coleta de alimento, construção de novos potes).

Reforce a alimentação com xarope de açúcar a cada 03(três) dias e bombom de pólen se necessário.

Observe a presença de forídeos, faça o combate caso necessário.

Verifique a presença de rainha após 15(quinze) dias.

Agora que você já sabe como multiplicar colônias de abelhas sem ferrão com segurança, que tal aplicar esse conhecimento no seu meliponário? Lembre-se: esse processo não é apenas uma forma de expansão, mas também uma ferramenta poderosa de conservação ambiental e fortalecimento das populações nativas de abelhas.

Se você quer ver mais conteúdos como este, siga o blog do Meliponário Mambuca e acompanhe nossas publicações sobre técnicas, curiosidades, manejo e conservação das abelhas nativas do Brasil. Juntos, podemos transformar pequenos gestos em grandes impactos para a biodiversidade!

Data de publicação: 16/06/2025

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