Abelhas Sem Ferrão
As abelhas sem ferrão pertencem à família Apidae, tribo Meliponini, também chamadas de meliponíneos. Apesar do nome, essas abelhas possuem ferrão, mas são atrofiados impedindo a função de defesa, mas possuem outras maneiras de se defenderem, como morder e grudar nos cabelos, como as Scaptrigonas (Mandaguaris, Tubuna…), liberar uma substância ácida que queima a pele, como a caga-fogo (Oxytrigona tataira) ou liberar um visgo grudento, como é o caso da Borá (Tetragona clavipes).
As abelhas sem ferrão ocupam grande parte das regiões de clima tropical e subtropical, também são encontradas nas florestas tropicais e savanas africanas.
Essas abelhas se alimentam de néctar e pólen das flores, garantindo a polinização de diversas plantas.
Baseado no mecanismo de formação das rainhas e pela presença de célula real, que é uma célula de cria maior em relação as outras células, as ASF se dividem em dois grupos:
- Caracterizado pela presença de célula real, maior em altura e diâmetro, consequentemente recebe maior volume de alimento larval. Esse grupo é o mais diversificado em número de espécies e gêneros como Trigona, Tetragonisca, Tetragona, Scaptotrigona, Nannotrigona, Oxytrigona, Cephalotrigona, Friesella, Plebeia, Schwarziana, Paratrigona e outros.
- Esse grupo não apresenta célula real, todas as células possuem o mesmo tamanho, formado pelo gênero Melipona,
Espécies de Abelhas Sem Ferrão
Existem em média mais de 300 espécies de abelhas sem ferrão espalhadas pelo Brasil, as mais conhecidas são:
- Jataí (Tetragonisca angustula): Uma das mais conhecidas, pequena, cor amarelada, produz um mel muito valorizado.
- Borá (Tetragona clavipes): são também conhecidas como Jataizão, defensivas, muito populosas e um mel muito apreciado por ser mais forte e citritrico que os demais meles das ASF.
- Mandaguaris (Scaptotrigonas): Possuem colônias populosas e fortes, são ótimas polinizadoras e seu mel é mais suave.
- Mandaçaia (Melipona quadrifasciata): Se divide em duas Subespécies, MQA e MQQ. São abelhas de coloração preta e listas amarela, comuns no Sudeste e Sul do Brasil.
- Tubuna (Scaptrogona bipunctata): Bem populosas e defencivas, excelentes para produção de mel e própolis.
Criação e Manejo
A meliponicultura é a criação de abelhas sem ferrão, uma prática sustentável e benéfica para a biodiversidade. Para criar essas abelhas, é necessário fornecer um ambiente adequado, como caixas racionais que imitam seus ninhos naturais. As colônias precisam estar protegidas de predadores e receberem alimento em tempos de escassez.
Grande parte das espécies de abelhas sem ferrão, como a Jataí (Tetragonisca angustula), Mandaguari Preta (Scaptotrigona postica), Tubuna (Scaptotrigona bipunctata), Borá (Tetragona clavipes), Guaraipo (Melipona bicolor), Mandaçaia (Melipona quadrifasciata), Mombucão (Cephalotrigona capitata), Tiúba (Melipona fasciculata) e Uruçu (Melipona scutellaris), constroem seus ninhos em cavidades preexistentes em troncos de árvores. Outras constroem seus ninhos no solo, utilizando formigueiros e cupinzeiros abandonados, ou constroem ninhos aéreos presos a galhos ou paredes. Internamente, os ninhos são compostos por favos de cria e potes de armazenamento de mel e pólen.
Muitas espécies de abelhas sem ferrão sofreram uma exploração predatória por meleiros, com a retirada do mel sem o manejo correto e consequente destruição das colônias, o que contribuiu para a diminuição das populações dessas abelhas em algumas regiões.
Características Físicas
As abelhas sem ferrão variam em tamanho e coloração conforme a espécie. Algumas possuem corpo preto com listras amareladas, enquanto outras podem ter tons marrons, avermelhados, alaranjados… Elas possuem mandíbulas bem desenvolvidas para defesa, já que não possuem ferrão funcional. Suas asas são relativamente pequenas em relação ao corpo, mas extremamente eficientes para o voo. Além disso, algumas espécies apresentam pelos no corpo, o que ajuda na coleta de pólen.
Reprodução
A reprodução das abelhas sem ferrão acontece dentro da colônia. As operárias alimentam algumas larvas com uma dieta especial, conhecida como “pão de abelha”, que pode desenvolver uma nova rainha. Quando uma nova rainha nasce, pode permanecer na colônia ou sair para fundar um novo ninho.
Divisão de Castas: Rainha e Operárias
Assim como as abelhas com ferrão, as sem ferrão vivem em sociedades bem organizadas, compostas por:
- Rainha: Responsável pela postura dos ovos, garantindo a reprodução da colônia.
- Operárias: Realizam todas as tarefas do ninho, como coleta de alimento, construção e defesa da colônia.
- Machos (zangões): Têm como principal função fecundar a rainha.
Concluímos que as abelhas sem ferrão são essenciais para o meio ambiente, ajudando na polinização de diversas plantas nativas. Seu manejo contribui para a conservação da biodiversidade e gera produtos de grande valor, como o mel. A criação dessas abelhas é uma excelente alternativa para quem deseja preservar a natureza e ao mesmo tempo obter produtos sustentáveis.
Importância das abelhas sem ferrão
Algumas destas espécies são criadas para a produção de mel, que tem sido cada vez mais valorizado para fins gastronômicos e medicinais. Também produzem própolis, cera e pólen.
Além disso, elas cumprem um papel muito importante na reprodução das plantas nativas com flores, promovendo a polinização cruzada (cerca de 80%) e, como consequência, a formação de frutos e sementes. Elas também contribuem para a polinização de plantas utilizadas na alimentação humana, como café, tomate, berinjela, urucum, coco, morango, goiaba, cupuaçu, açaí, camu-camu, entre outras, melhorando o rendimento e a qualidade dos frutos e sementes em média 20%.
Sem a colaboração dessas abelhas, a reprodução de muitas plantas com flores seria impactada negativamente, ocasionando uma diminuição em suas populações, podendo inclusive chegar à extinção.
As abelhas sem ferrão são essenciais para a polinização e são criadas pelo homem na prática da meliponicultura.